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Compulsório maior terá impacto nulo no crédito, diz Febraban



Para economista da entidade, elevação da alíquota é "ajuste técnico"
Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado .

SÃO PAULO - O aumento do compulsório de um ponto porcentual anunciado esta tarde pelo Banco Central não deve ter impacto no mercado de crédito, prevê o economista sênior da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Jaime Alves. O BC diz que a medida vai enxugar R$ 1,6 bilhão da economia. "Isso é um valor marginal e não terá maiores impactos no mercado", diz Alves.
O economista da Febraban vê o aumento da alíquota sobre depósitos a vista, que passou de 42% para 43%, como um ajuste técnico para compensar a queda da exigibilidade de aplicação em crédito rural, que passará dos atuais 30% dos depósitos a vista, para 29%. A partir daí, será reduzida em um ponto porcentual a cada ano, até 2014, quando atingirá 25%. Já o compulsório para o depósito à vista vai chegar a 45% em 2014, alíquota considera alta pelos bancos.
Em março, o Banco Central já havia anunciado o aumento do compulsório, revertendo medidas anunciadas durante a crise, quando as taxas foram reduzidas para aumentar a liquidez da economia. O compulsório é um recurso que os bancos têm que depositar no BC sem remuneração. O aumento de março enxugou R$ 71 bilhões da economia.
Em maio, o total de depósitos compulsórios depositado no Banco Central chegou a R$ 275 bilhões, voltando a níveis pré-crise financeira mundial, segundo dados da nota de crédito divulgada pelo BC no dia 23. Em janeiro, o saldo do compulsório somava R$ 193 bilhões.




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O aquecimento do mercado imobiliário no ano passado - com reflexo direto na valorização das ações do setor, que subiram 205% em 2009 - e a perspectiva de crescimento consistente das companhias abertas por, pelo menos, mais três anos, seduziram os gestores de renda variável. Segundo estudo feito pela Economática com exclusividade para o Valor, a indústria de fundos investe R$ 6,6 bilhões nos papéis de construção civil.


Os dados são de fevereiro e mostram que a destinação de recursos dos fundos no setor de construção civil está aumentando. Em janeiro, os investimentos totais das gestoras de recursos eram de R$ 5,4 bilhões - uma diferença de 22,2%. O total em construção em fevereiro é quase 60% dos R$ 11,3 bilhões que os gestores aplicam no setor bancário, segmento mais maduro e consolidado e com maior participação no Índice Bovespa.


O setor financeiro representa 17,3% do Ibovespa. As empresas de construção civil presentes no índice - Cyrela, Gafisa, MRV, PDG Realty e Rossi - somam 8,1% do referencial. É mais do que setores que já brilharam na bolsa em outros momentos, como telecomunicações, varejo e alimentos e bebidas.


O aumento da construção civil no índice é recente e o volume de recursos detectado pelo levantamento é um reflexo direto disso, já que boa parte dos fundos, sejam ativos ou passivos, usa o Ibovespa como referencial. No fim de 2007, estavam do índice apenas Cyrela e Gafisa. Em 2008, entrou Rossi e, por último, PDG Realty e MRV. No IBrX -100, há oito construtoras, com participação de 3,3%.


De acordo com o levantamento, a gestora que mais investe no setor é o Itau Unibanco, com R$ 766 milhões, seguida do Credit Suisse Hedging-Griffo, com R$ 553 milhões, Vinci Gas Gestora de Recursos, com R$ 482 milhões e BB DTVM, com R$ 372 milhões. O papel que os gestores mais gostam é a PDG Realty que, com a compra da Agre, passou a liderar o setor. A PDG tem 21% do total investido no segmento, o que corresponde a R$ 1,4 bilhão e está relativamente distante da segunda colocada, a Cyrela, com R$ 580,1 milhões. Gafisa, Brookfield e MRV surgem na sequência. "O setor está barato versus o potencial de crescimento", diz Clécius Peixoto, gestor de renda variável da Vinci Gas.


Uma análise mais detalhada do estudo - feito com a nova ferramenta de fundos da Economática - mostra que a PDG também aparece como o principal ativo das 20 maiores gestoras. Mas há, também, apostas diferenciadas, de papéis com menos evidência. O J.P. Morgan tem 61% aplicados na ação da São Carlos, empresa que tem como sócios o trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. A São Carlos nasceu dos dos ativos imobiliários da Lojas Americanas e chegou a ser colocada à venda, mas está bastante ativa nos últimos meses, inclusive na compra de imóveis.


A Maxima Asset tem 95,6% do total investido na João Fortes - empresa com forte atuação no Rio, mas com baixa liquidez. A Polo Capital investe em 14 ações diferentes, mas a principal (27,7%) é a Inpar - que enfrentou problemas e hoje está em fase de restruturação nas mãos do fundo americano Palladin. A Fama Investimentos tem 48,5% do total investido no setor na Rodobens, empresa de baixa renda.