Ah – vejo que o último texto publicado no blog foi elíptico demais, e a culpa disto é principalmente do jet lag; parece que as pessoas não estão entendendo o que quero dizer.
Vamos lá: o Japão sofre com um problema de inadequação na demanda; é por isso que o país enfrenta uma deflação persistente, é por isso que um número cada vez menor de trabalhadores consegue se manter empregado no longo prazo, é por isso que o desemprego aumentou e as horas de trabalho foram reduzidas.
Entretanto, meu objetivo era mostrar que o problema na demanda japonesa não foi tão grave quanto os números do PIB podem sugerir. A maior parte do declínio relativo no PIB japonês quando comparado ao americano teria provavelmente ocorrido mesmo se a política econômica tivesse sido capaz de evitar a armadilha deflacionária. O Japão apresenta uma economia deprimida, mas não em depressão.
O mesmo critério mostra que as políticas fiscais japonesas não foram um fracasso tão completo quanto se costuma dizer. Elas não criaram um crescimento autossustentável, pois nunca foram suficientes para restaurar o pleno emprego e tirar a economia da deflação. Mas elas impediram que a economia afundasse.
Ah, e quanto à dívida; o endividamento não é bom – mas a dívida líquida é de aproximadamente 100% do PIB, e não 200%, porque boa parte dela pertence ao Banco Central Japonês.
A questão é que há muitos nuances nesta história que não costumam chegar aos nossos ouvidos – não é uma história feliz, obviamente, mas não é tão terrível quanto a versão que conhecemos. Levando-se em consideração a forma com a qual estamos lidando com nossa própria bolha estourada, acho que precisamos deixar de ser tão duros com os japoneses.