Por: Julia Ramos M. Leite
21/10/10 - 18h54
InfoMoney
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Em meio a este cenário, e atendendo às expectativas do mercado, o Federal Reserve deve sair de sua próxima reunião em 1 e 2 de novembro com um novo pacote de flexibilização quantitativa para estimular a economia norte-americana: o já apelidado “Quantitative Easing 2”, ou QE2.
Fed pronto
James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, declarou em entrevista à CNBC que a decisão é “difícil”, e que o Fed poderia esperar até dezembro para se manifestar, mas admitiu que os mercados já esperam novidades no próximo mês. “É difícil, pois a economia desacelerou, mas não tanto que exija claramente alguma ação”, afirmou. Apesar de reconhecer os riscos de um novo pacote, Bullard disse não acreditar que a inflação voltará a convergir para a meta caso nada seja feito.
O que éEm 2008, para evitar uma colapso dos mercados após a quebra do Lehman Brothers, a autoridade monetária norte-americana (assim como diversas outras ao redor do mundo) deu início à primeira rodada de medidas de flexibilização quantitativa – o que, em poucas palavras, significa injetar dinheiro na economia, geralmente através da compra de títulos públicos ou privados.
Na teoria, esse tipo de medida deve estimular o consumo, já que há mais dinheiro no mercado para se gastar – outra opção é que esse capital seja colocado em ativos, como ações, elevando seu valor. Isso também diminuiria os custos de empréstimos aos negócios e às famílias, já que os bancos têm mais reservas em seus cofres para emprestar, podendo assim cobrar um juro menor. Com mais crédito, a demanda por produtos e serviços é estimulada e, consequentemente, as expectativas de inflação são elevadas.
Assim, a ideia é estimular o crescimento da economia através de um giro financeiro maior, trazendo liquidez quando ela está escassa nos mercados e nas instituições financeiras. Outro modo de tentar impulsionar o consumo e a economia seria baixar a taxa básica de juro - entretanto, essa carta não está mais nas mãos do Fed, já que a Fed Funds Rate já está entre 0% e 0,25% ao ano.
Quantitativa X qualitativaMas a flexibilização quantitativa não é o único modo de dar um empurrão na economia. Também existe a flexibilização qualitativa, ou flexibilização de crédito. Enquanto a flexibilização quantitativa tem como metas prevenir a deflação e a manutenção da oferta de crédito, a flexibilização quantitativa entra em ação para resgatar bancos e o mercado financeiro.
Segundo o analista Patrick Artus, do Natixis, esse tipo de política envolve empréstimos diretos do banco central para o setor privado, e é apropriada quando os bancos em si enfrentam problemas, restringindo então a concessão de crédito por motivos que não envolvem a falta de liquidez nos mercados.
Mal necessário ou só mal?O consenso de que o QE2 virá já trouxe certo alívio momentâneo aos mercados – o que, apesar de bom no curtíssimo prazo, por outro lado, pode diminuir os efeitos do pacote quando este for efetivamente anunciado, já que boa parte do estímulo adicional já foi precificado.
A preocupação, contudo, é mais profunda do que somente o rumo do mercado acionário no curto e médio prazo. Para a ampla maioria dos analistas, o pacote do Fed fará mais mal do que bem. O problema, na visão de alguns, não é a falta de liquidez, mas o fato de que as pessoas não querem consumir ou tomar crédito. Em outras palavras, não há motivo para jogar mais dinheiro no mercado se o motivo por trás do baixo consumo não é a falta de liquidez, mas sim a "má vontade" da população em consumir.
Com isso, a liquidez sendo injetada no sistema não está estimulando os empréstimos e o consumo, mas sim sendo direcionada para outros fins, como fusões e aquisições, gerando riqueza para alguns ao invés de estimular investimentos e aumento de produção. O caminho da inflação também preocupa - afinal, sem pressões de preços, o caminho é a deflação, o que desestimula ainda mais o consumo e poderia jogar os EUA na mesma situação vista pelo Japão há alguns anos.
Os mercados emergentes, com seu crescimento imponente e taxas de juro mais atraentes, também recebem esse excesso de dinheiro colocado no mercado norte-americano, que traz consigo problemas cambiais devido ao excesso de dólares e consequente alta das moedas locais. Para alguns, a situação poderia se deteriorar até uma “guerra cambial”, usando o termo cunhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Veja abaixo as opiniões emitidas recentemente, em relatórios ou entrevistas, por bancos, gestores e especialistas em política monetária, sobre o efeito que a nova rodada de flexibilização quantitativa terá não somente na economia dos EUA, mas também nos mercados de modo geral.
Barclays Capital: “Uma saudável dose de cautela é necessária”
Citigroup: “Baixos custos de financiamento podem impulsionar crescimento lá fora, e não PIB norte-americano”
First Trust: “A flexibilização quantitativa é uma estratégia errada de política monetária que surgiu em um ambiente de pânico”
Henrique Meirelles, presidente do Banco Central: “A flexibilização quantitativa gera distorções graves”
Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia 2001: “Os erros do Fed no passado se mostraram extremamente custosos, e os novos também o serão”
JP Morgan: “Mesmo com todo o seu arsenal, não há garantias de que o Fed consiga impulsionar a economia”
Morgan Stanley: “Fracasso ou sucesso da estratégia vai depender da resposta internacional”
Natixis: “Novas medidas de flexibilização quantitativa seriam inúteis e perigosas”
Paul Krugman, professor de economia na Universidade de Princeton e Prêmio Nobel de Economia 2008: “Ninguém está disposto a discutir o tamanho realmente necessário para o QE2”
Pimco: “Quanto mais liquidez no sistema financeiro dos EUA, maior é o efeito negativo em excesso de capital para outros países”
Royal Bank of Scotland: “O potencial do remédio segue incerto”
"Uma saudável dose de cautela é necessária" - Barclays Capital, em relatório de Larry Kantor e Dean Maki
"A única ação do Fed desde que o crescimento norte-americano perdeu ritmo foi começar a reinvestir o principal dos títulos em maturação para evitar que seu portfólio diminua. O impacto do banco central nos mercados e nas projeções de crescimento, contudo, tem sido muito maior do que uma atitude tão pequena poderia sugerir.
A comunicação do Fed de que pode reiniciar a compra de ativos tem contribuído de modo significativo nos preços dos mercados, e deve ter um impacto positivo na economia dos EUA nos próximos trimestres.
Contudo, uma dose saudável de cautela é necessária. Os movimentos do mercado estão sendo guiados pelas expectativas do QE2, e essas expectativas podem ser frustradas caso isso não aconteça ou dê apenas um impulso temporário. Os mercados vão antecipar a retirada dessa liquidez extra.
(...) A eficácia de novas compras de títulos em gerar uma queda mais acelerada na taxa de desemprego provavelmente dependerá de seus efeitos no setor de serviços, em especial via o mercado de renda variável, que pode se beneficiar não só de baixas taxas de juro, mas também do efeito de balanceamento do portfólio, já que os detentores de Treasuries são forçados a migrar para outros tipos de ativos com as compras do Fed”.
"Baixos custos de financiamento podem impulsionar crescimento lá fora, e não PIB norte-americano" - Citigroup, em relatório de Tobias Levkovich
“A noção de flexibilização quantitativa e a quase ameaça do Fed em usar até US$ 1 trilhão para manter as taxas de juro de longo prazo baixas estão tendo um impacto em restringir os custos de financiamento dos Treasuries de 10 anos. Em períodos normais, custos baixos como esses têm dado um impulso ao crescimento econômico, já que baixa os gastos do governo e também ajuda o setor privado. Mas há consequências não intencionais de ações como essas, que podem ocorrer fora do controle do Fed e minar seus planos.
As empresas nos mercados desenvolvidos podem estar em um processo de compra de nova capacidade ao invés de construí-la. A proposta de compra da Potash pela BHP Billiton é um exemplo disso. (...) As recompras de ações e fusões e aquisições mais do que superam as novas emissões na primeira metade do ano. Isso não deve alavancar a criação de empregos, como é argumentado pela administração de Barack Obama, se a consolidação da indústria e corte de custos causar mais demissões. Deve se pensar se os planos mais bem elaborados não podem dar errado.
Os baixos custos de financiamento também podem ser importados por países que ligam sua moeda ao dólar ou veem o mercado cambial externo como um modo de se manter competitivo. Esses países se beneficiam das baixas taxas do Fed. Financiamento barato e forte crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) tendem a puxar ativos para essas economias, especialmente se o tratamento fiscal a investidores estrangeiros é benigno.
Assim, baixos custos de financiamento podem impulsionar crescimento lá fora, e não necessariamente o PIB norte-americano, o que não parece ser a intenção, mas pode ser o resultado. [O QE2] pode ajudar, de certo modo, empresas dos EUA, mas não faz muito pela atividade econômica doméstica”.
"A flexibilização quantitativa é uma estratégia errada de política monetária que surgiu em um ambiente de pânico" - First Trust, em relatório de Brian Westbury e Robert Stein
“Alguns participantes do mercado estão esperando que o QE2 traga mais US$ 1 trilhão. Isso seria um erro colossal. Flexibilização quantitativa não impulsiona a atividade econômica real ou a inflação – não é uma injeção de novo dinheiro, como o tradicional afrouxamento monetário. QE é uma estratégia errada de política monetária que surgiu em um ambiente de pânico. Ela só foi necessária porque regras de mercado fizeram com que fosse quase impossível que empresas privadas tivessem ativos de risco. Agora que essas regras foram corrigidas, não há justificativa para o QE.
(...) O Fed está tomando dinheiro emprestado dos bancos e do Tesouro para comprar ativos. O que isso faz é transferir para o balanço do Fed o que seria detido pelo setor privado. Isso não é a criação de novo dinheiro, e por isso não cria inflação ou impulsiona a demanda agregada.
A flexibilização quantitativa não é a razão pela qual a economia retomou seu crescimento. Sua eficácia é um mito e seu uso é um erro. Taxas de juto zero são suficientes. O Fed tomou o poder durante a crise e deve devolvê-lo [ao setor privado]”.
"A flexibilização quantitativa gera distorções graves" - Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, em declarações feitas após evento em São Paulo
"Não há dúvidas de que a situação dos Estados Unidos é complexa, difícil. A flexibilização quantitativa é um remédio que tem refluxos colaterais intensos e efeitos colaterais que são sentidos nas regiões do mundo, no Brasil particularmente, mas não apenas nele.
Neste momento, temos outro tipo de expansão de liquidez que é a norte-americana. Mas pelas características de moeda reserva do dólar, esta liquidez começa a se espalhar para diversos países no mundo, desde países que estão crescendo de forma sólida, como é o caso do Brasil, até países que são vistos como sólidos e com moedas fortes, como são os casos da Suíça e do Japão.
O processo de fluxo é preocupante e a formação de bolhas a qualquer momento é preocupante. (...) A melhor postura nesse momento é aguardarmos" .
"Os erros do Fed no passado se mostraram extremamente custosos, e os novos também o serão" - Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, em artigo recente
“Com a taxa de juro próxima de zero, o Fed e outros bancos centrais lutam para se manter relevantes. A sua última arma é o chamado QE, e deve ser tão ineficaz para reavivar a economia dos EUA quanto qualquer outra coisa tentada pelo Fed nos últimos anos. Pior ainda, o QE deve trazer custos enormes aos contribuintes, enquanto mina a eficácia do Fed pelos próximos anos.
O melhor que pode ser dito da política monetária atual é que ela evitou o pior dos cenários após a quebra do Lehman Brothers. Mas ninguém pode dizer que diminuir as taxas de juro de curto prazo estimulou investimentos. (…) Então, como trazer as taxas dos Treasuries de curto prazo para baixo não funcionou, a esperança é que baixar os juros de longo prazo impulsione a economia. A chance de sucesso é quase zero.
Resumidamente, o QE não vai ajudar a estimular os negócios de forma direta. Pode contribuir de duas formas; uma delas é a estratégia norte-americana de desvalorização competitiva [a vantagem competitiva trazida pela queda do dólar]. A segunda é reduzindo as taxas de hipotecas, que ajudaria por sua vez a sustentar os preços do mercado imobiliário.
Mas os custos potencialmente significativos ofuscam esses pequenos benefícios. (...) É positivo que o Fed esteja tentando consertar sua performance horrenda no pré-crise, mas não está claro se houve uma mudança em seus modelos. Os erros do Fed no passado se mostraram extremamente custosos, e os novos também o serão, mesmo se ele tentar esconder a ‘etiqueta de preço’”.
"Mesmo com todo o seu arsenal, não há garantias de que o Fed consiga impulsionar a economia" - JPMorgan, em relatório de Michael Feroli
“Só porque foi importante no passado, não significa que o efeito do rebalanceamento do portfólio do Fed será tão essencial no futuro. Já há muitas boas razões para se pensar que há retornos menores em compras de ativos: cada bilhão adicional em compra de títulos provavelmente resulta em uma redução menor das taxas de longo prazo.
Isso significa que o Fed não deve se envolver em uma nova compra de ativos se ela não for realmente em larga escala. Mesmo se a decisão seja iniciar outra onda de compras enorme, o impacto provável nas já baixas taxas de longo prazo não seria, por si só, suficiente para impulsionar a economia.
Baixar as expectativas do caminho dos juros de curto prazo seria, possivelmente, outro modo de estimular a economia. Isso pode ser feito através de compromissos de manutenção de juros de curto prazo baixos por um longo período de tempo, ou até mesmo reduzindo o nível já baixo das taxas mais curtas ao reduzir os juros sobre o excesso de reserva.
Em qualquer um dos casos, os efeitos nas taxas de juro, e na economia, são provavelmente pequenos, considerando-se que as expectativas para a próxima alta da Fed Funds Rate já estão distantes. Mesmo que o Fed use todo o seu arsenal, não há garantias de que consiga impulsionar a economia”.
"Fracasso ou sucesso da estratégia vai depender da resposta internacional" - Morgan Stanley, em relatório de Manoj Pradhan e Joachim Fels
“Parte da agressividade das autoridades monetárias para eliminar os riscos de que os EUA ou a Europa se tornem o próximo Japão deve resultar em novas medidas de flexibilização quantitativa no futuro próximo.
Mas o jogo de política global não terminaria com o QE2 do Fed; ele, na verdade, estaria apenas começando. Pode ser um elemento não intencional do QE2, mas as economias emergentes devem ter seu papel no processo, ou permitindo que suas economias se expandam em resposta aos fluxos de capital ou escolhendo deixar com que suas moedas se apreciem, ou um pouco das duas coisas. Em qualquer um dos casos, a economia norte-americana deve ganhar através de melhores projeções de exportações.
No final, o sucesso ou fracasso dessa estratégia se resume à resposta internacional que veremos nas próximas semanas ou meses. Preocupações sobre uma guerra cambial são, em nossa visão, exageradas – por hora. (...) Mas os riscos de uma escalada das tensões que leve a acontecimentos mais sérios não podem ser ignorados (...). Uma flexibilização agressiva por parte do Fed pode ser recebida com medidas agressivas dos emergentes para desvalorizar suas moedas.
Por hora, os benefícios de se exportar o QE para os emergentes são altos. (…) O Fed receberia bem ajuda externa via um dólar enfraquecido e expectativas mais altas de inflação. Parece que o mais novo item a ser terceirizado pela economia dos EUA pode ser seu mecanismo de transmissão monetária".
"Novas medidas de flexibilização quantitativa seriam inúteis e perigosas" - Natixis, em relatório de Patrick Artus
“Os riscos dessas políticas não convencionais [flexibilização quantitativa e qualitativa] são perdas ao banco central, distorções em preços de ativos e uma dificuldade em sair desse tipo de estratégia, já que o banco central deve vender os ativos que comprou anteriormente.
A flexibilização quantitativa é útil em um cenário em que os bancos não têm liquidez, em que a criação monetária pode impulsionar expectativas de inflação excessivamente baixas e no qual não são causadas distorções nos bonds. Atualmente, não falta liquidez aos bancos comerciais, as expectativas de inflação estão baixas, mas longe de criar um risco de deflação e o setor privado segue a se desalavancar.
Assim, aumentar a liquidez dos bancos não aumentará os empréstimos e não terá efeito direto na inflação. Se a alta na inflação se der através da desvalorização cambial, isso é uma política extremamente não cooperativa. As taxas de juro em títulos de dívida públicos já estão muito baixas, e pressioná-las causaria uma distorção e o perigo da acumulação de portfólios de renda fixa por bancos e investidores institucionais.
Não há necessidade para mais QE, que seria inútil e perigoso (...), mas uma flexibilização qualitativa específica seria útil”.
"Ninguém está disposto a discutir o tamanho realmente necessário para o QE2" - Paul Krugman, professor de economia na Universidade de Princeton e Prêmio Nobel de Economia 2008
“As pessoas têm procurado olhar estudos e eventos passados para tentar descobrir qual seria o tamanho necessário do QE2, que é uma escala que ninguém quer discutir. Seriam necessários de US$ 8 trilhões a US$ 10 trilhões em compras de bonds pelo Federal Reserve, e isso não parece muito provável.
Estamos obtendo algo que é suficiente para evitar o pior cenário, mas não é suficiente para produzir, de fato, uma recuperação completa”.
"Quanto mais liquidez no sistema financeiro dos EUA, maior é o efeito negativo em excesso de capital para outros países" - Pimco, em relatório de Mohamed El-Erian
“A ata do Fomc (Federal Open Market Committee) mostra um Fed em modo de experiência – uma instituição que se sente compelida a tomar medidas adicionais para reavivar a economia dos EUA, mas está incerta quanto à potência de suas intervenções. Essa combinação de uma instituição ativa com instrumentos imperfeitos tem implicações que podem ser sentidas muito além dos EUA.
Ao comprar títulos, o Fed estará tentando fazer com que as pessoas tomem mais risco – incentivar os investidores e comprar bonds corporativos e ações, os bancos a fazer empréstimos e as grandes companhias a aplicar seu caixa em investimentos em equipamentos e contratação de pessoal. Mas as pessoas não gostam de ser forcadas a fazer as coisas, muito menos tomar risco. Eles prefeririam ser convencidos pela atratividade da atividade. Com isso, alguns acreditam que os benefícios das medidas poderiam ser pequenos.
O Fomc reconhece que os benefícios do QE vêm com custos e riscos. Mesmo com esse equilíbrio incerto, ele se sente na obrigação de agir por três motivos: estamos em meio a uma nova revisão para baixo das projeções para o crescimento do país, as pressões inflacionárias seguem baixas e há pouco que outros agentes econômicos possam fazer. Quanto mais liquidez o Fed injetar no sistema norte-americano, maiores são os efeitos negativos para os demais países em termos de fluxo de capital, bolhas de ativos e pressões inflacionárias.
Agora que já sinalizou suas intenções, o Fed agora tem o desafio de especificar como vai implementar um novo programa de compra de ativos. Haverá uma meta no nível de compras? Se houver um objetivo, será uma taxa de juro no mercado ou um resultado específico de inflação e crescimento? Naturalmente, a tendência será tentar manter o máximo de opções possíveis. Esperemos que essa “ambiguidade construtiva” seja suficiente para atender as expectativas do mercado e limitar o ceticismo das autoridades monetárias de outros países".
"O potencial do remédio segue incerto" - Royal Bank of Scotland, em relatório de Andrew McLaughlin
“O Fed está se preparando para dar uma nova injeção, apesar da potência do remédio permanecer em dúvida. As autoridades monetárias decidiram manter as taxas de juro, mas deram sinais de que novas compras de títulos podem estar por vir. As declarações deixaram claro que há preocupação de que a inflação norte-americana está baixa demais, com as medidas de inflação subjacente atingindo mínimas históricas. Considerando recentes sinais de que a economia dos EUA está perdendo momentum, a temida palavra iniciada com D associada à década perdida do Japão está ganhando espaço: a deflação.
É um pouco confuso o motivo pelo qual o Fed decidiu esperar ao invés de começar a comprar bonds agora. O pensamento pode ter sido de que simplesmente anunciar sua mudança de percepção seria o suficiente para impulsionar os mercados – se esse foi o caso, eles estavam corretos".
Mas há mais preocupações para o Fed. Com os níveis de dívida ainda altos na economia e condições difíceis no mercado de trabalho, a habilidade de baixar taxas de juro para impulsionar os gastos das empresas e das famílias segue em dúvida"